Aula XII: Semiologia em Psicanálise
Introdução Tarefa Processo Avaliação Conclusão Créditos

AVALIAÇÃO

Aproveitando o primeiro parágrafo do texto abaixo, vamos construir, em duas laudas (formatação ABNT), a nossa compreensão do termo SEMIOLOGIA (semiótica) EM PSICALÍTICA. (prazo para entrega: 15/08/2019). 

Após esta data entraremos na disciplina XIII - Teoria Psicanalítica de Anna Freud do Módulo 03. Onde trabalharemos os teóricos de forma transversal e dinâmica. 

Uma boa produção Acadêmica para todas(os)! 


                               Psicanasta Didata: Gilson Luna 

                Escola de Formação em Psicanálise ODePsiHumana


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Sintomas discentes da Semiótica psicanalítica

 

Podemos dizer que há três grandes desafios que um estudante enfrenta ao iniciar a disciplina de Semiótica Psicanalítica: O primeiro é explicar pra si o que significa o termo Semiótica psicanalítica; o segundo consiste na aprendizagem, devido à complexidade da perspectiva; o terceiro é explicar para os outros sobre e, do que se trata a semiótica psicanalítica. Nesse sentido, podemos dizer que esse trabalho é sintoma um do primeiro e ultimo problema, já que o segundo é um tipo de gozo sem fim.

Contornos de-finição

Como diz o próprio termo “definição” aponta para uma tarefa complicada de-finição, ou seja, dar um “fim”, apontar limite ou recorte de um conceito. Geralmente essa tarefa nem sempre é satisfatória e talvez, jamais será, porém, não pode haver comunicação ou reflexão, se ficarmos em uma “semiose infinita” que não se cessa. Assim, talvez, temos que contentarmos com um engajamento neurótico sem necessariamente sofrer de uma neurose absoluta. 

Num sentido amplo, a semiótica psicanalítica é uma perspectiva cientifica de confluência interdisciplinar entre a semiótica e a psicanálise. Ao fazer uma pesquisa, é possível encontrar alguns grupos ou pesquisadores na academia que procuram conduzir seus esforços para esse desafio intelectual de pensar a dimensão complexa do signo com a dimensão hermética da psicanálise, fronteira onde, Jacques Lacan, foi o pioneiro nesse dialogo interdisciplinar entre, o signo semiótico e o inconsciente freudiano.    

Dentre aqueles que percorreram esse caminho lacaniano, gostaria de destacar três vias significativas e interessantes de pesquisas que procuram desenvolver uma síntese complexa entre as duas perspectivas epistemológicas. Por coincidência ou não, ambas tem em comum suas origens entre a década de 70 e 80. Apesar de similares esforços interdisciplinares, distinguem-se pela sutil trilha traçada dentro do labirinto das perspectivas psicanalíticas, como também, do viés signico ou, melhor dizendo, das escolhas de corrente e linhas semióticas. 

Três linhas de trabalho merecem destaque em relação à confluência entre semiótica e psicanálise, são elas:

  • O trabalho da Semiologia psicanalítica, de Maria Carmen Gear, Ernesto Cesar Liendo, com colaboração de Luis J. Prieto e sua publicação, Semiologie Psycanalytique (1975);
  • O movimento de semióticas sincréticas que tem influencia de grandes estudiosos da corrente lingüística como: Jean Marie Floch, Hjemslev, Greimas, Umberto Eco, Metz e sua semiótica do cinema, entre outros;
  • Por fim, a Semiótica Psicanalítica: Clinica da Cultura que se originou por volta da década de 80, com o dialogo entre as semioticistas Lucia Santaella, Samira Chalhub e o psicanalista Oscar Cezaroto (FANI, 2009).  

A Semiologia psicanalítica, de Gear, Liendo e Prieto, objetivam concentrar seus esforços para tratar com uma crise epistemológica da psicanálise, especificamente, uma crise de impotência instrumental e obsolescências de seus modelos. (Gear e Liendo; 1976 p. 13). Uma síntese desse trabalho pode ser encontrada na obra: Semiologie Psycanalytique (1975), que inicialmente teve sua publicação em idioma espanhol e francês. Podemos encontrar um exemplar traduzido para o português pela editora Imago, com o titulo: Semiologia Psicanalítica (1976).

De origem européia, a Semiótica sincrética compreende estudos que empregam varias linguagens de manifestação, verbal e não verbal (BEIVIDAS, 2006). Comumente encontramos a semiótica sincrética aplicada aos estudos de analise de discurso. Há uma vasta e rica literatura aplicada ao discurso cinematográfico. No Brasil, vale destaque ao trabalho de Waldir Beividas que apresenta estudos interdisciplinares entre semiótica, psicanálise e cinema.

Contorno interdisciplinar e interdisciplinaridade. 

Na primeira linha da semiologia psicanalítica, podemos notar que a pesquisa parte de um ato do sujeito psicanalista se apropriando do arcabouço teórico da semiótica para resolver problemáticas internas à psicanálise, como por exemplo, problemas epistemológicos e renovação teórica dentro do campo psicanalítico. Ou seja, sua conexão interdisciplinar parece convergir seus esforços para a manutenção dos sujeitos e o campo da psicanálise.

Na segunda linha, das semióticas sincréticas, o esforço se dá a partir de outro campo. São geralmente, semioticistas, lingüistas e estudiosos da área de comunicação e linguagem que buscam fazer uma leitura das teorias e conceitos da psicanálise sobre a óptica da semiótica. Trabalho que não somente colabora com o campo da psicanálise, mas também, amplia suas perspectivas e horizontes para além da clinica, utilizando e disseminando seus axiomas em áreas como: antropologia, sociologia, publicidade, literatura, etc. 

Por ultimo, uma terceira e ultima linha, a semiótica psicanalítica: Clinica da cultura, aparenta ter um posicionamento sui generes em relação às demais, pois, parte do trabalho de “sujeitos híbridos” que se fundamentam numa perspectiva complexa onde, ocorre muitos momentos em que ambas as dimensões, tanto psicanalítica, como a semiótica, se fundem numa gestalt, em que o todo da reflexão e sua articulação, reflete muito mais que uma mera soma das partes. Este resultado gestaltico possibilita encarar a semiótica psicanalítica: clinica da cultura, como um saber que procura se constituir num campo interdisciplinar e, não somente num mero esforço de interdisciplinaridade. 

Esses três perfis de sujeito, semioticistas, psicanalistas e “híbridos” podem ser encontrados na trilha da semiótica psicanalítica, no entanto, para compreender a novidade sui generis dessa complexa perspectiva, a abertura para um posicionamento mais “hibrido’ favorece tal experiência.

 Singular perspectiva interdisciplinar

Essa experiência, sui generis, tem á possibilidade de um fortalecimento, na medida em que a semiótica psicanalítica vem a cada dia assumir-se como uma perspectiva cientifica  Para isso, necessita conquistar para si um contorno interdisciplinar mais espesso, isso talvez, seja um dos seus maiores desafio, principalmente devido problemas, que não somente abarcam dimensões epistemológicas, como também, dimensões filosóficas, especialmente, da filosofia das ciências.  Um caminho possível manifesta-se a partir dos novos horizontes, onde ocorre uma crise epistemológica da ciência moderna. 

A atual crise epistemológica da ciência moderna não se trata apenas de uma crise de um dado ramo da ciência, com seus métodos ou conceitos básicos, uma crise de crescimento, mas, trata-se sim, de uma crise de degenerescência, ou seja, crise paradigmática que atravessa todas as disciplinas, ainda que de modo desigual, mas em nível profundo (SANTOS, 1989, p.18). Ainda, segundo Boaventura de Souza Santos (1989), essa crise paradigmática profunda da ciência, se deu por um movimento de desdogmatização da ciência moderna. Não cabe no momento, aprofundarmos nesse assunto, porém, é interessante não ignorar tal discussão, principalmente porque têm um aspecto importante para a reflexão das bases epistêmicas da semiótica psicanalítica. 

È importante percebermos dentro dessa crise de degenerescência, autores dentro do movimento de desdogmatização da ciência moderna em uma fase pós-critica: em um momento de proposta de novos modelos e métodos de se fazer ciência. Alguns destaques são bem visíveis no cenário intelectual como: Carlos Ginzburg, com seu paradigma indiciário; Edgar Morin, com sua teoria do método complexo; Boaventura: com sua proposta de uma sociologia e uma ciência pós-moderna; entre outros mais: Michel Mafessoli, Humberto Maturana, etc. Podemos dizer que a psicanálise foi pioneira tanto dentro do movimento quanto como proposta.

Conforme o cenário dado acima, é valido afirmar que a semiótica psicanalítica tem o privilégio dentro das demais perspectivas “pós-modernas” devido, contar com a participação de autores com propostas significativas na atual conjuntura epistemológica. Como exemplo, apontaremos três dessas propostas significativas dentro da semiótica psicanalítica: Jacques Lacan, Charles Sanders Peirce e Lucia Santaella. 

Jacques Lacan apresenta uma produção teórica rica, complexa e qualitativa, de modo, que não se restringe somente ao campo psicanalítico. Dentro das correntes pós-modernas, sua posição é sui generis, pois, evita cair num puro relativismo infrutífero e negação total da noção de verdade. Segundo Iannini (2012): “ A perspectiva da singularidade do sujeito, da dignidade ontológica da contingência e da opacidade do objeto, bem como a aceitação que o problema da verdade nasce coexistensivamente ao problema da linguagem, não implicam o abandono do problema da verdade […]” E ainda afirma que para Lacan, há real, mesmo que dessubstancializado e opaco ao simbólico ( IANNINI, 2012, p.24). 

A Semiótica de Charles Sander Peirce tem uma importância fundamental na constituição epistemológica da semiótica psicanalítica. Mas, é necessário compreender com profundidade a semiótica peirciana de modo a não reduzi-la há uma semiótica especializada, limitando seu potencial filosófico a uma mera dimensão instrumental. Conforme diz Santaella (2002): “A semiótica é uma das disciplinas que fazem parte da ampla arquitetura filosófica de Peirce.” 

Tal potencial da semiótica peirciana esta ligado a uma intima relação com sua fenomenologia (SANTAELLA, 2002, p. 11). Além disso, essa crise paradigmática, não é apenas uma crise das ciências modernas, mas uma crise filosófica, crise do paradigma cartesiano, ao ponto que o que esta em jogo, além da dimensão epistêmica, a dimensão ontológica do saber. Aqui se encontra a grande contribuição de Peirce, pois, sua arquitetura filosófica, além de ser anti-cartesiana, constitui-se numa vastíssima fundação para qualquer tipo de investigação ou pesquisa (SANTAELLA, 2002). 

Um ultimo destaque para Lucia Santaella, fonte especial da semiótica psicanalítica, possui uma formação quase ou se não hibrida em semiótica e psicanálise. Há muito tempo, pelas suas bases peirciana, vem apresentando a proposta de um método anti-cartesiano e, junto à base lacaniana, arquitetando a semiótica psicanalítica: clinica da cultura. 

 

Referencias

GEAR, Maria Carmem;  LIENDO, Ernesto Cezar.  Semiologia psicanalítica. Rio de Janeiro: Imago editora, 1976.

IANNINI, Gilson. Estilo e verdade em Jacques Lacan. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.

SANTOS, Boaventura de Souza. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989.

SANTAELLA, Lucia. Semiótica aplicada. São Paulo: Cengage Learning, 2002.

 HISGAIL, Fani. ”Diálogos entre psicanálise e semiótica.“ Vídeo conferencias: Conexão Lacaniana. Disponível em: http://www.marciopeter.com.br/links2/inter/fani_pdf, 2009.  Acesso em: 30 de nov. 2012.

 BEIVIDAS, Waldir.  ”Semióticas Sincréticas (O cinema) Posições.“ Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/public/beividas_semioticassincreticas.pdf,2006. Acesso em: 09 de dez. 2012.


 


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