LINGUISTICA
Introdução Tarefa Processo Avaliação Conclusão Créditos

- Os prenomes latino-europeus atribuídos aos cidadãos bantu de Angola estão enraizados e aceitáveis, em certa medida, porque a maioria do povo angolano professa a fé alicerçada no cristianismo. Outros são dados por honra e por variados motivos. Assim, se constata que tais prenomes são atribuídos pelos progenitores com base a três critérios fundamentais:

  • Por motivos cristãos;
  • Por honra;
  • Por bel-prazer ou outros motivos. 

- Todos os prenomes e sobrenomes nas suas línguas de origem têm sempre uma des-

crição semântica (significado), com reflexos dos contextos de onde se originaram. Porque os nomes são palavras e as palavras dizem sempre alguma coisa;   

 

- Quando se opta em honrar uma pessoa ilustre para perpetuação de seu nome, deve se primar pelo seu prenome e não pelo sobrenome por razões já apontadas;

 

-Será que sobrenomes latino-europeus atribuídos aos angolanos nativos reflectem a sua origem e ancestralidade?

- Os sobrenomes de origem latino-europeia predefinidos atribuídos aos cidadãos bantu, não se coadunam com as suas matrizes genealógicas, nem tão pouco de seus ancestrais. Os detentores de tais sobrenomes, isto é, partindo dos seus genitores por ordem de ascendência, os adquiriram por imposição, honra ou a bel-prazer. Portanto, demonstram, um certo vazio, ou seja, tais, não representam nenhuma essência profunda da alma e do espírito bantu, mas algo superficial e fictício; 

- Inquéritos realizados em várias pessoas adultas com prenomes e sobrenomes latino-europeus, declararam, peremptoriamente, que desconheciam os reais significados dos mesmos;

 

- O resgate dos valores culturais, não passa apenas pela educação moral e cívica, mas também pela revisão de aspectos concernentes a Antroponímia e a identificação, já que, os prenomes, e sobretudo os sobrenomes não são meros letreiros decorativos ou de identidade supérflua com significante, mas, sim, arautos duma função linguística, baseada na língua e na cultura ancestral de cada povo;

 

- Deveria se colocar no Sistema Nacional de Ensino, desde muito cedo, nos conteúdos programáticos de História e Geografia elementos, ou mesmo, a cadeira de Onomástica para uma visão geral do assunto;

 

- Os Serviços de Registos de Nascimento do país devem dispor de linguistas ou indivíduos versados no assunto, com o intuito de fornecer subsídios técnico-científicos sobre a matéria. Outrossim, devem programar seminários para os seus quadros;

 

- Hoje, o desconhecimento das regras que regem a constituição de um nome completo, baseado na Antroponímia (modelo português), faz com que haja o fenómeno de desajustes de nomes, ocasionando, deste modo, uma confusão e amálgama que continua a sua marcha imparável, perpetuando, assim, o erro. Tal amálgama que se constata nos nomes actuais são o resultado dos primeiros desajustes que ocorreram nos nomes latino-europeus de Angola.

 

 

- O povo angolano sofreu profundamente a aculturação ocidental. Neste caso, a atribuição de prenomes latino-europeus nos nomes é um facto desse processo, um facto incontornável, contudo para nossa reflexão, propomos que se devia preservar os sobrenomes angolanos com nomes nativos, aqueles baseados nas nossas línguas e raízes ou equivalentes em português para a protecção da identidade bantu;

 

- Resumindo e concluindo, e sem preconceitos ou tendências xenófobas, pode-se afirmar que muitos nomes latino-europeus de Angola estão mal formatados e desajustados pelo facto de não se inserirem, verdadeiramente, na fórmula: Nome = Prenome + Sobrenome. O que se nota é, sobretudo, a usurpação de sobrenomes alheios - os sobrenomes de famílias portuguesas e de outros europeus!

 

 


© 2010 Todos direitos reservados.