Aula XII: Semiologia em Psicanálise
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CONCLUSÃO

Acredita-se ter sido possível atingir o objetivo deste trabalho, pois foi caracterizado o que se compreende como sendo os fundamentos freudianos para uma semiologia psicanalítica, e, também, para o método de revisão de literatura em psicanálise. Tais fundamentos foram encontrados particularmente em "Totem e Tabu", a primeira pesquisa de Freud nesse domínio da semiologia psicanalítica e, também, uma das mais importantes na sua obra como um todo. Ainda que o pai da psicanálise não tenha se utilizado da expressão "semiologia psicanalítica" na obra em questão, parece ter efetivamente ali feito o que se entendeu como sendo a prática da semiologia psicanalítica de dois signos: "totem" e "tabu".

Por semiologia psicanalítica foi entendido neste trabalho o estudo de signos ("signo" na definição de Saussure como remetendo àquilo que une um significado a um significante) no seu contexto lingüístico originário (como, por exemplo, os mitos, os escritos clássicos, etc.) e recalcado nas aparições da língua da atualidade. Nessa valorização do estudo dos signos, que poderiam ser "conceitos", em sua aparição nos textos clássicos, vê-se a ênfase colocada no método de revisão de literatura.

Por um lado, pode-se concluir que esse exame da abordagem freudiana em "Totem e Tabu" pareceu ter confirmado os achados de outras pesquisas. Foram elas: 1) A semiologia saussuriana: em Bento (1996, item 1.1); e 2) Lévi-Strauss: sua antropologia estrutural e sua abordagem dos mitos como linguagem do domínio da língua, da fala e de um sistema universal de signos, em Bento (1996, item 1.1.3). Dessa forma, foi encontrado em Freud (1913/1974) e em Saussure (1916/1995a, 1916/1995b) o destaque à importância de uma pesquisa semiológica radical, valorizando, assim, as origens dos signos. Também foi possível achar uma aproximação entre Freud (1913/1974) e Lévi-Strauss (1958/1974, 2003), ambos os autores parecendo buscar os universais da linguagem - especialmente nos totens e nos mitos de um primeiro tempo, esses reveladores da natureza humana mais profunda, do psiquismo inconsciente do homem, da verdade humana imutável, atemporal e originária.

Entendeu-se neste estudo "natureza humana mais profunda, psiquismo inconsciente do homem e verdade humana imutável" a partir das contribuições de Saussure (1995). Embora não tenha diretamente postulado, Saussure parece conceber "universais da linguagem" reveladores da natureza humana profunda. Mesmo classicamente conhecido pela "equação": linguagem é igual a língua mais fala, pelo destaque dado ao relativo, ao arbitrário do signo, aos sistemas particulares de signos (a língua e a fala), Saussure (1916/1995b, p.82) valorizará também os signos universais quando admite a existência simultânea de "signos inteiramente naturais", do "símbolo não ser jamais completamente arbitrário", de "um rudimento de vínculo natural entre o significante e o significado". Além disso, na abordagem da semântica, Saussure (1916/1995b, p.89) dirá que "o que domina, em toda alteração (do signo), é a persistência da matéria velha". Finalmente, tratar-se-á em Saussure de propor uma abordagem psicológica, pondo então em evidência a representação, no lugar da coisa material em si, como se pode ver em sua definição de signo (Saussure, 1916/1995b, p.80).

Não se poderia pensar que aquilo que está presente no homem sob a forma de universais linguísticos naturais, na origem das transformações subsequentes dos signos, recalcado, portanto, na aparência atual do signo, também estaria presente tanto no sujeito do inconsciente (fenômeno social) quanto no inconsciente do sujeito (fenômeno individual), inconsciente esse objeto por excelência da investigação psicanalítica? Se sim, não se poderia então afirmar que o método semiológico justificaria e fundamentaria a revisão de literatura como método de pesquisa, também em psicanálise? Não seria essa semiologia radical presente no pensamento de Saussure que depuraria os ditos universais da linguagem reveladores da natureza humana linguística inconsciente?

Esse mesmo exame de Freud (1913/1974) permitiu que se percebesse que é importante também, num segundo tempo, orientar igualmente a pesquisa semiológica para os tabus e para as religiões, que se mantêm, relembrando, ao lado dos mitos.

 

 


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