LÓGICA FILOSÓFICA III
Introdução Tarefa Processo Avaliação Conclusão Créditos

FALÁCIAS

Fonte: COTRIM, Gilberto; FERNANDES Mirna. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013.

 

Explicação

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Vimos até aqui como é fácil construir raciocínios que podem parecer corretos, mas não são. Por isso se diz que tão importante quanto saber construir argumentos válidos e corretos é ser capaz de distinguir os que não o são, o que nos leva a tratar agora das chamadas falácias.

 

O termo latino fallacia significa “engano, trapaça”. Assim, em sua acepção comum, a palavra falácia costuma ser usada para referir uma ideia equivocada ou uma crença falsa (ou que se considera assim), como em “Dizer que o mundo vai acabar é uma falácia”. No âmbito da lógica, falácia é qualquer erro de raciocínio ou argumentação. No entanto, esse termo costuma ser reservado mais comumente aos raciocínios ou argumentos enganosos, isto é, que possam parecer corretos, mas que, após um exame cuidadoso, se percebe que não são (cf. Copi, Introdução à lógica, p. 73).

 

Vejamos um exemplo:

todo gato perfeito tem quatro patas.

todo gato que conheço tem quatro patas.

logo, todo gato que conheço é perfeito.

 

O silogismo categórico anterior pode parecer correto à primeira vista. No entanto, se você prestar atenção um pouco mais, notará que a conclusão é precipitada e injustificada, mesmo que sejam verdadeiras suas premissas: não é possível concluir que todos os gatos que conheço são perfeitos só porque têm quatro patas. As quatros patas são apenas uma das condições de perfeição física nos gatos.

 

Paralogismos, paradoxos e sofismas

Podemos dizer, então, que falácia é basicamente um paralogismo: um erro lógico involuntário, ou seja, sem que haja a intenção de enganar, mas que pode ser enganoso.

 

Em algumas situações em que uma explicação ou teoria amplamente aceita e comprovada não funciona e se contradiz com o mundo real, isso ocorre muito provavelmente porque há algum tipo de falácia envolvida, como tem sido observado muitas vezes na história da ciência. No entanto, enquanto não se descobre qual é essa falácia, o que temos é um paradoxo.

 

Por outro lado, quando o erro lógico é cometido de maneira intencional, com o propósito de envolver psicologicamente e persuadir o interlocutor, ele costuma ser denominado sofisma. No entanto, apesar de todas essas nuances semânticas que procuramos destacar, o que temos em todos os casos são, enfim, falácias, ou seja, raciocínios errados.

 

FALÁCIAS NÃO FORMAIS

 

Vimos que um argumento falacioso pode ser identificado, com frequência, por sua forma (falácia formal). Ocorre que, muitas vezes, o problema de um raciocínio não está em sua forma, mas em seu conteúdo. São as chamadas falácias quanto à matéria ou simplesmente falácias não formais.

Aristóteles tratou especificamente do problema dos argumentos enganosos não formais no tratado situado ao final do Organon: as Refutações sofísticas (Sophisticis Elenchis). Nele, o filósofo procura identificar os tipos de falácias (ou sofismas) usadas pelos chamados sofistas, destacando seis tipos atribuíveis à linguagem (in dictione) e outros sete não relacionados com ela (ex dictione). Assim:

 as falácias de linguagem – relacionam-se, de modo geral, com problemas de ambiguidade e imprecisão entre os termos ou as proposições. Algumas usam o mesmo termo com acepções distintas; outras os aplicam de maneira imprecisa, como quando tomam um termo como parte em uma premissa e como todo em outra;

 • as falácias ex dictione apresentam, de modo geral, premissas (ou provas, ou justificativas) pouco relevantes ou totalmente irrelevantes para as conclusões que extraem (ou o tema que pretendem provar ou justificar). Muitas vezes, procura-se com elas estimular certos sentimentos, como medo, ódio, reverência ou compaixão. Desse modo, o fator psicológico prepondera sobre o lógico. Ao longo do tempo, muitos tipos de argumentos falaciosos foram sendo descritos, somando-se aos já definidos por Aristóteles. Também ganharam nomes, sendo alguns mais conhecidos tradicionalmente por suas designações latinas. Muitas vezes, as falácias não são tão fáceis de identificar como nos exemplos a seguir. Também é verdade que os argumentos não costumam vir bem ordenados nem na forma de silogismos categóricos.

Mas, se você se familiarizar bem com as formas dos argumentos válidos e com as falácias descritas a seguir, além de treinar bastante, será muito mais difícil que você caia nas armadilhas dos raciocínios enganosos de agora em diante. Além disso, com tudo o que vimos neste capítulo e nesta unidade, deve estar mais preparado para penetrar no fascinante mundo das discussões filosóficas.

 

 


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